Ontem quando escutei o som da sua voz, chorei, mas não foram apenas lágrimas ou simples lágrimas que caíram, chorei profundamente. Você indiretamente influenciou muita coisa na minha vida, muita coisa mesmo. Lembrei da época que apenas te amar era suficiente pra eu me sentir feliz, incondicionalmente feliz. E todos os problemas que eu tenho agora não existiam, e nem existiriam se eu continuasse apenas te amando, as coisas eram mais simples de alguma forma, mas eu não sabia disso, agora eu descobri de uma forma bem grosseira. Não quero me arrepender de nada, e nem chorar por algo que não vai voltar. Por que não vai voltar, eu já me conformei. Era tão lindo a inocência de te amar e me contentar com o simples fato de você retribuir com um sorriso, era algo indescritivelmente divino, porque era um sentimento que me fazia bem e agora a minha felicidade se encontra em coisas passageiras, que não valem a pena serem lembradas no futuro. Mas o tempo que eu te amei vai ser lembrado pra sempre com muito orgulho, e não importam o que digam, porque eu fui a pessoa mais feliz do mundo por ter você na minha vida. Eu cresci, eu mudei, eu me perdi de você. Mas ontem te encontrei, e acordei. O que eu estou fazendo? não importa mais, eu sei que não vai voltar, mesmo que eu queria. Não vou me enganar. Só queria que você soubesse, queria que o vento assoprasse pra você o quanto eu te amo, e talvez se você pudesse retribuir mais uma vez, o congelar do seu sorriso na minha mente, pra eu sempre lembrar que você está aqui, não longe e nem perto. Eu só queria que você voltasse e ficasse mais não por obrigação, só ficasse pela sua vontade, eu queria que você curasse todas as feridas que você deixou, que a sua ausência deixou aqui no meu peito, parecia que iria durar pra sempre o amor de nós dois, não queria um fim assim, não queria me afastar, mais foi preciso, não queria te perder por inteiro. Sabe eu ainda estou aqui, te espero, sei que é perda de tempo, mas estou aqui, pode demorar, irei esperar o tempo que for pra te ter, nem que seja por segundos, não importa. Eu te amo tanto. Eu ainda tenho tudo na mente, perfeitamente, cada gesto, cada eu te amo, cada abraço, beijo. Ainda tenho na mente o dia que resolveu jogar tudo fora e me deixar, mas como eu disse eu estou aqui. Apenas aqui, da mesma forma que estava antes.
“A decisão que estou tomando é lúcida, decidi sozinho, na plenitude de meu livre-arbítrio. Eu não quero ser encontrado, nem notado, por isso vou me esconder para sempre, numa brecha entre a imaginação dos loucos e a incerteza dos fracos, onde quem for me visitar, jamais voltará para contar histórias. Eu vou para um abismo, onde a unica certeza é o mistério. Já comprei minha passagem de ida, e está em volta de meu pescoço, bem laçada e firme, e ao terminar de escrever esse bilhete escrito por minhas trêmulas e ansiosas mãos, eu saltarei da cadeira, pondo fim a tudo isso. Vou fugir das dores, da angústia. Vou fugir de mim mesmo, que tem sido meu rival mais persistente e incansável. Não tenho certeza se é excesso de coragem ou de temor, não importa. Mas, com certeza, vou rir de tudo isso um dia, seja lá pra onde eu estiver indo.
O efeito dos comprimidos estão se aflorando, meu estômago encolhe, minha língua amarga, e as vezes me falham os sentidos, e não quero que estes sejam o empurrão de minha queda, eles são apenas a saída de emergência, no caso de eu querer olhar para trás quando o caminho já não me permitir voltar atrás, evitando o fracasso de minha morte proposital […] Não culparei ninguém pela minha morte, nem pela minha agonia em vida; Meus atos são conduzidos por meus desejos, e o suicídio, é a unica liberdade. Espero que haja noites frias no desconhecido pra onde irei, e que isto atenue minha alma para o resto de tempo que ainda me resta na eternidade. Padeci. Perdi a guerra contra a vida em busca de viver. Mas nada disso vai importar quando estiverem lendo esse carta, eu estarei distante, vagando onde não existe preocupação, onde eu não preciso medir as consequências de meus medos. Não me importarei com nada, e ninguém. Para o alívio de quem deixei, eu não voltarei. Para o desespero de quem jogará flores úmidas de lágimas no meu túmulo, eu não voltarei. Nunca mais. Nunca!
Eu sempre odiei despedidas, e não mudaria hoje, estou ficando fraco, e minhas vistas estão se ofuscando. Os gritos inflamáveis dentro de minha mente calam qualquer voz que me fizesse mudar de ideia, então, é isso, darei fim ao que nunca realmente existiu, deixo a vida que jamais viveu, sonharei o sonho de qualquer um que vivesse o meu pesadelo. Espero nunca morrer também nas memórias de quem amei; Abraço a morte aqui, e agora, para ver-me livre de meus demônios assombrantes. Adeus…
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Anndré, (PdM) - Talvez seja apenas mais uma carta de suicídio não lida. (via
verborragias)